Sou nascida em Jaú, cidade do interior do interior de São Paulo, e para mim ser Jauense sempre foi algo normal, ao menos até eu ter contato com o mundo lá fora…

Fui estudar na cidade onde moro hoje – Bauru/SP. Meu sotaque sempre foi um pouco arrastado, mas naquela época ele era arrastado demais, e justamente por isso eu comecei a ser motivo de gozação do pessoal que vivia na cidade grande – Bauru (risos).

Depois de um tempo eu fiquei adaptada a nova cidade e meu sotaque melhorou um pouco. Já não era mais motivo de gozação, porque já me sentia alguém da “cidade grande”.

Esse sentimento durou até eu conhecer o mundo lá fora um pouco mais. Fui trabalhar em projetos localizados em São Paulo e adivinhem? Quem morava em Bauru era considerado Caipira do interior, porque Bauru é considerada muito pequena perto de São Paulo.

Passei a trabalhar cada vez mais em projetos em São Paulo. Conheci as avenidas principais, aprendi andar de metrô e comecei a me sentir adaptada a nova realidade da cidade grande.

Sai de São Paulo e passei a desenvolver projetos em outros estados, e depois outros países e adivinhem? Continuaram me chamando de Caipira.

Então vem a moral da história: Não adianta você tentar ser outra pessoa morando ou trabalhando em outros lugares, no final de tudo, você sempre será o reflexo de suas raízes. Nada é tão pequeno que não tenha algo menor, e nada é tão grande que não possa ter algo maior. Justamente por isso, seja você. E se algum dia lhe chamarem de Caipira, responda em alto e bom som: “Sou Caipira mesmo, e daí?”.

Tatiane Souza